Claudia Meireles

Dermatologista explica por que os cabelos podem repelir a água, fenômeno conhecido como hidrofobia capilar

Silvana Sousa, Claudia Meireles

17/10/2026 02:00

Reprodução/ Canva

Sabe quando você mal sai do banho e percebe que algumas partes do cabelo já parecem secas? A dificuldade dos fios em absorver água é uma das características associadas à hidrofobia capilar. O termo é usado para descrever madeixas que parecem repelir a água, seja por características naturais dos fios ou pelo acúmulo de produtos no couro cabeludo.
Ouvida pela coluna Claudia Meireles, a dermatologista e tricologista Aline Zanatta explica que, cientificamente, a hidrofobicidade é uma característica natural dos cabelos saudáveis. Isso acontece porque os fios possuem uma camada protetora de lipídios, que inclui uma substância chamada ácido 18-metil eicosanoico (18-MEA).
“Essa camada é o que dá a característica hidrofóbica natural, brilho e menos atrito aos fios. O problema que a gente chama de ‘hidrofobia patológica’ é quando essa hidrofobicidade fica excessiva. A água passa a formar gotinhas e escorre, o shampoo não espalha e a hidratação não penetra”, explica.
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Hidrofobia capilar é caracterizada pela dificuldade da água penetrar no fio capilar
O que causa a hidrofobia capilar?
De acordo com a profissional, a dificuldade de absorção de água pode estar relacionada tanto ao acúmulo de produtos quanto à baixa porosidade dos fios. No primeiro caso, o uso frequente de finalizadores com silicones insolúveis em água, petrolatos, óleos minerais e ceras pode contribuir para o problema, especialmente quando os resíduos não são removidos adequadamente.
“Esses produtos criam um filme que sela a cutícula e impede a entrada de água. A água dura, aquela rica em cálcio e magnésio, também pode causar a condição, assim como o excesso de leave-in sem rotina de limpeza profunda”, explica a especialista.
Já no caso da baixa porosidade, os cabelos possuem cutículas mais fechadas e alinhadas, o que dificulta a entrada de água. “A epicutícula age como uma membrana semipermeável e altamente hidrofóbica”, acrescenta Aline.
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Cabelos crespos e cacheados tendem a ser mais suscetíveis a hidrofobia capilar
Segundo Aline, o acúmulo de resíduos pode ocorrer com maior frequência em cabelos que passam por determinados procedimentos químicos ou recebem grandes quantidades de produtos de finalização, como cremes, óleos e gelatinas.
“Cabelos crespos e cacheados são os que mais sofrem com acúmulo se não houver uma rotina de limpeza adequada. A própria curvatura do fio já dificulta a distribuição natural do sebo, e o excesso de produto tende a se agravar”, destaca.
Veja quais são os sinais de que o cabelo está com hidrofobia capilar excessiva:
- A água escorre e demora para molhar o cabelo no chuveiro, dando a impressão de que os fios estão impermeáveis;
- O shampoo faz pouca espuma na primeira lavagem;
- O cabelo fica pesado, opaco e com sensação de resíduos, mesmo após a lavagem;
- Máscaras e condicionadores parecem permanecer na superfície dos fios;
- Acúmulo de resíduos no couro cabeludo.
Como tratar?
De acordo com Aline Zanatta, quando a dificuldade de molhar os cabelos está relacionada com o uso excessivo de produtos, os cuidados podem se concentrar na limpeza e no reequilibro dos fios.
Uma das possibilidades apontada pela especialista é o uso de shampoos de limpeza profunda ou com agentes quelantes — que são os que ajudam na remoção de produtos com silicone insolúveis e minerais. Entretanto, a frequência e uso devem considerar as necessidades de cada cabelo.
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Acúmulo de produtos pode ocasionar na hidrofobia capilar excessiva
A especialista também recomenda reduzir temporariamente o uso de produtos muito pesados, como petrolatos, óleos minerais e determinados silicones, quando houver suspeita de acúmulo de produtos.
Para prevenir a hidrofobia capilar excessiva, a dermatologista destaca a importância de manter uma rotina adequada de lavagem e equilibrar o uso de finalizadores.
“Fazer uma higienização regularmente, intercalar finalizadores pesados com produtos com ativos hidrofílicos e solúveis em água e ter um cronograma capilar ajudam a prevenir a condição”, conclui a dermatologista.
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