Um ano depois de ser atingida por uma labareda enquanto se servia em um restaurante no bairro Buritis, na região Oeste de Belo Horizonte, Ângela Aparecida ainda convive com dores, cicatrizes e dificuldades para realizar atividades do dia a dia. A mulher, que sofreu queimaduras de segundo grau em diversas partes do corpo, afirma que está há seis meses sem receber assistência do estabelecimento e agora busca na Justiça recursos para continuar o tratamento.O acidente aconteceu em setembro de 2025, quando um funcionário do restaurante tentou acender um fogareiro com álcool e provocou uma explosão. As chamas atingiram as costas e o cabelo de Ângela, que estava na fila do buffet. Toda a situação foi registrada por uma câmera de segurança.Funcionários e clientes correram para ajudar a vítima, que recebeu os primeiros socorros do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O funcionário que manuseava o fogareiro também precisou de atendimento médico e relatou fortes dores nos olhos.Após o acidente, Ângela ficou cerca de 70 dias internada e precisou passar por cinco cirurgias. Mesmo depois de receber alta, ela continua enfrentando as consequências das queimaduras e necessita de acompanhamento médico, fisioterapia e medicamentos.“Eu ainda sinto muita dor, mas muita dor. Eu não consigo andar direito. Eu não consigo sentar”, relatou.Além das limitações físicas, a mulher afirma que perdeu a renda que tinha antes do acidente e passou a depender financeiramente de familiares.O filho de Ângela conta que precisou reorganizar a própria rotina para ajudar a mãe. Mesmo trabalhando em dois empregos e tendo dois filhos, ele também arca com despesas relacionadas ao tratamento, incluindo transporte para consultas, sessões de fisioterapia, acompanhamento psicológico e medicamentos.“Infelizmente, esse episódio que aconteceu com a minha mãe abalou a estrutura familiar total, tanto emocionalmente quanto financeiramente, principalmente”, afirmou.Na época do acidente, o restaurante informou, por meio de nota, que prestaria assistência à vítima e à família dela, além de reforçar os protocolos de segurança do estabelecimento.Entretanto, segundo Ângela, o apoio foi interrompido há aproximadamente seis meses. Diante das dificuldades financeiras e da necessidade de continuar o tratamento, a família decidiu entrar com uma ação judicial.A defesa da vítima afirma que a situação exigia medidas urgentes, já que Ângela era a provedora da família e ficou impossibilitada de trabalhar após o acidente.A expectativa é conseguir recursos para custear as despesas médicas e garantir a continuidade da recuperação.Além das dores e das dificuldades financeiras, Ângela relata que as cicatrizes também afetaram sua autoestima.“O meu cabelo era grande. Eu não tinha uma cicatriz nas pernas. Eu desfilei em escola de samba. Eu era linda. Eu era muito cuidadosa. Hoje eu tenho vergonha de sair”, desabafou.Procurados novamente pela reportagem da RECORD Minas, os advogados do restaurante informaram que não vão comentar o caso e que os esclarecimentos serão apresentados exclusivamente nos autos do processo.A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias do acidente. Segundo a instituição, novas informações serão divulgadas após a conclusão das apurações.Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp











