O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou cinco policiais civis e outras três pessoas no âmbito da Operação Merx, realizada em agosto e que mirou um esquema de propina em que agentes de segurança cobravam propina para liberar a entrada de mercadorias ilegais no estado paulista.De acordo com a denúncia apresentada pela promotoria em setembro, os policiais civis se aproveitavam da condição de agentes e dos meios materiais e informacionais da instituição para realizar abordagens a caminhões que transportavam aparelhos eletrônicos provenientes de descaminho, introduzidos clandestinamente no território nacional pelo Paraguai com destino à região metropolitana de São Paulo. Leia também Alfredo HenriqueFogo amigo: MPSP cita tiros de armas ausentes na perícia após ação da PM Alfredo HenriqueMPSP mantém acusação contra motoboy mesmo na hipótese de PM matar soldado São PauloMPSP identifica covil onde são escondidos celulares roubados no centro São PauloMPSP pede esclarecimentos sobre programa de educação do governo que usa IA Na abordagem, os denunciados condicionavam a liberação da carga ilegal ao pagamento de uma propina. O “acerto” era padronizado e custava 70% do valor estimado da carga abordada. Segundo as investigações, a propina exigida para liberação das cargas totaliza R$ 2,35 milhões.Ainda segundo o MPSP, os policiais formalizavam uma apreensão “meramente simbólica de parcela ínfima da mercadoria” para dar uma aparência de legalidade à ação. Em alguns casos, os agentes deixavam de lavrar qualquer registro da ocorrência, restituindo integralmente a carga.Corrupção e lavagem de dinheiroOs cinco policiais foram denunciados pelos crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Os outros três homens vão responder por corrupção ativa e lavagem de dinheiro.Os promotores responsáveis pela denúncia ainda pediram a fixação do valor mínimo de R$ 2,3 milhões de indenização, alegando dano moral coletivo. O documento também pede o bloqueio de valores e bens móveis e imóveis adquiridos pelos denunciados, além da perda do cargo público dos policiais.À época da operação, a Justiça decretou a prisão preventiva de sete investigados, sendo quatro policiais civis, um advogado e duas pessoas responsáveis pelo pagamento de vantagens indevidas aos agentes públicos.Um investigador foi afastado do exercício da função pública e proibido de manter contato com outros investigados e testemunhas. A Vara Regional de Garantias de Osasco também determinou o sequestro e o bloqueio de bens no valor total de até R$ 4 milhões.








