Justa é um filme de drama luso-francês de 2025 dirigido por Teresa Villaverde e estrelado por Betty Faria, Madalena Cunha e Filomena Cautela. O roteiro de Villaverde tem como gênese a catástrofe dos incêndios florestais em Portugal de 2017 por meio de personagens que perderam pessoas próximas e estão no processo de aprender a viver depois de tudo que perderam. O filme teve estreia mundial no 27° Festival do Rio em 5 de outubro de 2025, onde foi exibido na mostra Panorama Mundial com presença do elenco e diretora, e foi lançado oficialmente nos cinemas portugueses em 4 de dezembro de 2025.
Premissa Ambientado em uma pequena aldeia portuguesa arrasada por incêndios florestais de grandes proporções, o longa retrata um grupo de sobreviventes em busca de reconstruir suas vidas após uma tragédia que deixou marcas profundas, nos corpos, na mente e na própria paisagem ao redor. Entre eles estão Justa (Madalena Cunha), uma menina de dez anos atormentada pela insônia, e seu pai, Mariano, que carrega no corpo as cicatrizes do fogo. O peso do luto e da culpa também acompanha Elsa (Betty Faria), uma idosa cega, que se responsabiliza pela morte do marido, e o jovem Simão (Alexandre Batista), que passa os dias vagando solitário pelo cemitério da vila, brincando com sua bola.
Elenco e personagens Betty Faria como Elsa Madalena Cunha como Justa Filomena Cautela como psicóloga Alexandre Batista como Simão Ricardo Vidal como Mariano Anabela Moreira como filha de Elsa João Pedro Vaz como genro de Elsa Robinson Stévenin como Pierre Beatriz Batarda como mãe de Justa (apenas voz)
Produção
Concepção Teresa Villaverde concebeu o filme inspirada nos acontecimentos dos incêndios florestais em Portugal de outubro de 2017. Para ela, o filme foca mais na existência dos personagens e presta uma homenagem aos sobreviventes da tragédia. Até chegar à concepção do roteiro, Villaverde conversou com inúmeras pessoas das zonas afetadas pelos incêndios, mesclando seus depoimentos com a ficção para chegar a uma "verdade aprendida" das pessoas que foram obrigadas a conviver com o trauma. A diretora afirma que trabalhar com um assunto tão sensível demandou delicadeza e reflexão, ao mesmo tempo em que fortaleceu a conexão da equipe com a dimensão humana da narrativa. Segundo ela, explorar sofrimentos e experiências traumáticas compartilhadas ajudou a tornar a realização do filme mais autêntica e significativa. "Eu acho que, de alguma maneira, quanto mais nós falamos de dores que podem ser universais, de traumas que podem ser universais, de experiências difíceis, mais fácil é entender e representar", disse Villaverde no Festival do Rio.
Escolha do elenco Teresa Villaverde escolheu o elenco participante do longa-metragem. Ela buscou pessoas "habitadas por dentro", com verdade emocional e presença autêntica em cena, demonstrando cuidado na escolha que para ela é uma etapa muito importante da produção. Grande parte do elenco é composto por atores não-profissionais. "No filme, a maioria dos atores não são profissionais. Betty Faria foi de uma generosidade imensa porque para uma atriz como ela, ir contracenar com atores não-profissionais podia ser uma coisa complicada, mas não, foi o oposto. Porque ela só ajudou", contou Villaverde.
Filmagens A produção foi filmada em Álvaro, uma das aldeias de xisto do concelho de Oleiros, além de locações em Pampilhosa da Serra e na Lousã, áreas historicamente marcadas por incêndios. Álvaro, inclusive, esteve entre as localidades atingidas pelos grandes incêndios de 2017.
Lançamento O filme teve sua première no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, no Brasil, em 5 de outubro de 2025. Posteriormente, foi selecionado para outros festivais ao redor do mundo. Nos cinemas portugueses, teve estreia em 4 de dezembro de 2025 pela Alce Filmes. Na França, o filme foi lançado oficialmente nos cinemas em 25 de fevereiro de 2026.
Repercussão
Recepção da crítica Justa foi recebido de forma mista pela crítica especializada com elogios, sobretudo, para o desempenho de Betty Faria na pele de uma mulher que carrega sentimentos profundos. José Vieira Mendes, para o Magazine HD, exaltou a performance de Betty escrevendo que ela "não interpreta: habita. Com meio século de carreira e um método que se sente nos ossos, faz do silêncio uma forma de expressão. É uma presença que vibra no ecrã, como uma sobrevivente de outra era, não a das chamas, mas a do cinema em que ainda se acreditava em emoções sem filtro, sem ironia, sem artifício". Mendes complementou sua crítica elogiando o cinema da cineasta Teresa Villaverde. Ele finalizou escrevendo que "Há quem diga que o cinema de Teresa Villaverde é difícil. Eu diria que é apenas verdadeiro. Não nos pede paciência: pede empatia. É um cinema que exige que estejamos presentes, que olhemos, que sintamos, que suportemos o desconforto de ver o que a vida real tenta esconder. Justa é, no fundo, um filme sobre ver sem olhos. Sobre sentir sem palavras. Sobre viver depois de se ter morrido um pouco. E é também um gesto de fé num cinema que ainda acredita nas pessoas. Se o mundo fosse justo, Justa estaria em todas as salas do país. Mas como não é, teremos de nos contentar com as que restam e, dentro delas, deixar-nos incendiar outra vez". Ao C7nema, Lídia Ars Mello escreveu: "Interpretações notáveis de três mulheres protagonistas, mulheres de três diferentes gerações. Os planos, maioritariamente fechados, contribuem para intensificar o que cada personagem sente, aproximando o espectador da sua fragilidade e resistência. Trata-se de um filme que deve ser visto e reverenciado por quem respeita a vida humana e o meio ambiente".
Prêmios e indicações
Referências
Ligações externas Justa no IMDb