Os gastos do governo devem alcançar 19,55% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, o maior nível desde a pandemia, segundo dados do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), divulgados nesta quinta-feira (24/9).A elevação das despesas ocorre em um cenário de pressão sobre as contas públicas, em que a equipe econômica busca conciliar medidas de estímulo com o cumprimento das regras fiscais.Apesar do avanço dos gastos, o governo decidiu reverter o bloqueio, de R$ 17,9 bilhões para R$ 2,4 bilhões. No entanto, anunciou um contingenciamento de R$ 13,6 bilhões. Leia também BrasilGoverno já gastou R$ 40 bilhões para conter preço dos combustíveis BrasilGoverno inclui Bolsa Família no Orçamento e prevê alta do rombo fiscal BrasilGoverno Lula reduz congelamento no Orçamento de 2026 para R$ 16,1 bilhões O contingenciamento é um dos instrumentos utilizados para assegurar o cumprimento da meta fiscal, que prevê superávit de 0,25% do PIB, com banda de tolerância de 0,25 % para cima ou para baixo.A medida limita a execução de despesas discricionárias quando há risco de frustração de receitas ou aumento de gastos obrigatórios.Uma das causas da elevação dos gastos são os créditos extraordinários do governo, que somam R$ 67,3 bilhões, como os subsídios aos combustíveis, que tem o objetivo de amortecer os choques do preço do petróleo para os consumidores.Ajustes nas contas públicasBloqueio e contingenciamento, tecnicamente, são duas coisas diferentes, embora sejam usadas como sinônimos. Enquanto o contingenciamento guarda relação com as receitas, o bloqueio é impactado pelas despesas;O contingenciamento é necessário quando a receita não consegue comportar o cumprimento da meta de resultado primário (receitas menos despesas, sem contar os juros da dívida) estabelecida;Enquanto o bloqueio se faz necessário quando as despesas obrigatórias (como os benefícios previdenciários, pagamentos de pessoal e despesas mínimas para saúde e educação) crescem e o governo precisa cortar esses gastos. Nesse caso, a União pode escolher quais programas serão afetados pelos bloqueios;O governo fez a primeira contenção no Orçamento em 24 de março, na cifra de R$ 1,6 bilhão.








