Candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputa o segundo turno das eleições de 2026 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A votação está marcada para 25 de outubro e vai definir quem comandará o país pelos próximos quatro anos.

- Flávio Bolsonaro terminou o segundo turno à frente de Lula com 47,03% dos votos. O petista teve 45,16% dos votos, com 99,99% dos votos apurados.
Seguindo a tendência das eleições de 2026, Flávio elegeu como um de seus principais temas a segurança pública.
Mas o candidato, que chega no dia da votação como um dos principais concorrentes à Presidência da República, também fez do Supremo Tribunal Federal (STF) um dos focos de suas propostas.
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Candidato do bolsonarismo, Flávio foi escolhido como herdeiro político de seu pai, Jair Bolsonaro (PL) - já que tem como uma de suas principais propostas anistiar o pai e retirá-lo da prisão domiciliar que cumpre pela tentativa de golpe de Estado.
Assim, parte de suas propostas espelha as bandeiras do ex-presidente.
No entanto, Flávio ainda não detalhou como vai realizar boa parte de suas propostas. Um exemplo disso é a pauta econômica.
Ainda na pré-campanha, o candidato do PL elegeu Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e ex-assessora especial do Ministério da Economia durante a gestão Paulo Guedes, como seu "guru". No entanto, as medidas que levariam ao "tesouraço" nas contas públicas são vagas.
À GloboNews, Daniella já disse que, se eleito, Flávio irá cortar gastos equivalentes a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em seu plano de governo, o candidato fala em dar "continuidade" à reforma administrativa e cortar ministérios.
O plano, no entanto, não indica quanto seria economizado com cada medida nem quais custos permanentes seriam reduzidos para garantir essa economia.
Ainda no plano econômico, outro tema que dominou os debates públicos é o fim da escala 6x1, na qual o trabalhador descansa somente um dia por semana. Flávio já disse ser contra a medida.
Para ele, o ideal seria uma jornada de trabalho flexível. Essa jornada seria combinada diretamente entre patrão e empregado e poderia incluir a redução do salário.
Já sobre outro tema que dominou a eleição em sua reta final, as bets, o plano de governo de Flávio diz apenas sobre proibir apostas com dinheiro de programas sociais. Depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) proibir completamente as apostas, Flávio criticou a medida e defendeu a proibição somente de cassinos online, mas permitindo apostas esportivas.
Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República — Foto: Globo/ Manoella Mello
Leia abaixo os detalhes das principais propostas de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência:
Segurança Pública
O plano de governo de Flávio Bolsonaro prevê o endurecimento do combate ao crime organizado. Entre as propostas estão a classificação de facções como PCC e Comando Vermelho, além de milícias, como organizações “narcoterroristas”, o bloqueio de ativos financeiros e o reforço das ações de combate à lavagem de dinheiro.
O documento também propõe reduzir a maioridade penal para 16 anos. Nos casos de crimes graves, a proposta prevê a possibilidade de punição de adolescentes a partir dos 14 anos.
Na política carcerária, Flávio propõe construir cinco novos presídios federais de segurança máxima, inspirados no modelo adotado por El Salvador.
Atualmente, o Brasil conta com cinco penitenciárias federais. Pelo plano, as cinco novas unidades se somariam às já existentes para formar um complexo chamado “TREVA”, destinado a isolar líderes de facções criminosas.
Para combater a violência contra a mulher e o feminicídio, o plano propõe endurecer a legislação e monitorar com tornozeleiras eletrônicas agressores sujeitos a medidas protetivas.
O uso de monitoramento eletrônico nesses casos, no entanto, já está previsto atualmente na Lei Maria da Penha.
Mulheres
Em uma live realizada em agosto, Flávio apresentou o documento "Brasil por Elas", com conjunto de propostas voltadas ao público feminino.
Entre as medidas, Flávio defendeu a ampliação do acesso à internet para mulheres através da 'MarIA', plataforma de Inteligência Artificial descrita como "amiga virtual" do público feminino. Ele não especificou por onde a ferramenta seria lançada e tampouco informou qual pasta seria responsável pelo seu desenvolvimento.
O candidato também falou da criação de uma plataforma chamada 'Central da Mulher' voltada a "todas as fases de acolhimento da mulher" de forma física e virtual, e com possibilidade de resgate de auxílio para aluguel e creche.
O pré-candidato não informou qual seria o valor a ser resgatado, nem qual órgão seria responsável por esse atendimento.
O documento prevê ainda o “Saúde para Elas”, projeto para unificar o prontuário da população nas redes pública e privada de saúde, e também uma iniciativa que pretende contribuir para que as mulheres possam "conquistar a independência com foco na autonomia econômica e proteção da renda familiar".
Outra proposta do documento é programa de cashback "ganha, ganha". A medida defende converter ações em incentivo financeiro ou outras facilidades às famílias.
Vacinar os filhos, realizar exames preventivos, concluir cursos de capacitação, manter as crianças na escola, poupar e pagar as contas em dia estão entre os exemplos citados para obter "juros menores, acesso facilitado ao crédito, cashback social, descontos em serviços e outras vantagens".
Poder Judiciário
O Judiciário tem recebido parte das críticas mais vocais de Flávio durante a campanha, sendo uma das principais pautas do bolsonarismo. Os principais alvos são os integrantes do STF, mas a Corte de maneira geral também é criticada pelo candidato.
Entre as propostas de Flávio estão mudanças estruturais no STF:
- Fim da análise de casos de esfera criminal: julgamento de parlamentares em instâncias inferiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou os Tribunais Regionais Federais, "para que exerçam seus mandatos com mais altivez, sem que isso represente qualquer contrapartida de impunidade", aponta seu plano de governo.
- Limitação das decisões monocráticas do STF: redução das decisões provisórias por um único juiz antes de levar o caso para o plenário da Corte.
- Quarentena de 1 ano: tempo para que ministros de Estado possam ser indicados ao STF.
- Impedimento de parentes até terceiro grau: limitar a atuação de parentes de ministros com escritório de advocacia em ações na Corte.
- Mudanças no CNJ e no CNMP: ampliação da participação da sociedade civil nos conselhos nacionais de Justiça e do Ministério Público e redefinição de suas competências.
O candidato fala ainda em promover o que ele chama de um "tesouraço na censura". Segundo Flávio, estruturas foram criadas para "tratar como desinformação aquilo que incomoda o poder". Ele promete acabar com qualquer estrutura estatal que atue para "vigiar, rotular ou punir o que as pessoas dizem".
Flexibilização do trabalho
Crítico da proposta que dá fim à escala 6x1 e institui duas folgas remuneradas, Flávio defende uma "jornada flexível" na qual a carga horária e os dias de trabalho serão combinados entre empregador e trabalhador.
A linha, segundo disse o candidato durante a campanha, é de que quem quiser poderá trabalhar mais e receber mais, o pagamento seria por hora trabalhada.
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"Defendemos o negociado sobre o legislado, ou seja, permitir que trabalhador e empresa combinem diretamente as condições de trabalho que funcionam para os dois, dentro da lei", diz Flávio em seu plano de governo.
Nessa mesma linha de diálogo direto com o empregador, o candidato diz que é contra o que chama de "República Sindical". Flávio critica a contribuição sindical e defende a manutenção das condições dos trabalhos por aplicativos.
Além dessa flexibilização, o candidato do PL defende ainda "reduzir gradualmente o custo do trabalho". Flávio critica o custo de se manter um trabalhador formal.
No entanto, ele não explica em seu plano de governo como reduziria esse custo, dizendo somente que os trabalhadores de 18 a 24 anos teriam um "menor custo na folha".
Ao mesmo tempo, Flávio defende manter os programas sociais existentes, mas com mudanças não especificadas pelo candidato. Um dos programas citados é o de habitação. Flávio fala em retomar o Casa Verde e Amarela, do governo Bolsonaro, e que foi substituído pelo Minha Casa, Minha Vida no novo governo Lula.
O plano de governo fala ainda em facilitar a saída dos beneficiários dos programas sociais, com prioridade em políticas públicas voltadas ao trabalho.
Contas públicas
Em outra frente na economia, Flávio critica o fim do teto de gastos e a criação de um novo modelo para controle das contas públicas, o arcabouço fiscal, sancionado pelo presidente Lula em agosto de 2023.
Segundo o plano de governo de Flávio, o novo arcabouço retirou as “sanções e as travas e projetou regras frágeis, que pudessem ser mudadas conforme a conveniência”.
O plano de governo afirma que o comando da economia de uma eventual gestão Flávio Bolsonaro fará uma reformulação das atuais regras fiscais, com novas regras que terão foco na “estabilização e na redução da dívida pública”.
A proposta não especifica os termos da nova regra fiscal, mas afirma que será calcada em alguns pilares: superávits primários, limitação do crédito subsidiado com recursos do Tesouro e “uma regra clara de controle de gastos discricionários dos três Poderes da União”, sem especificar o modelo desta meta.
A meta, segundo o candidato, é a estabilidade no curto prazo e, posteriormente, a queda da relação entre a dívida e o PIB.
Junto a isso, o candidato promete reduzir a máquina pública de maneira a reduzir os custos para o estado.
Ele propõe dar continuidade à reforma administrativa em discussão no Congresso, corte de cargos comissionados, combate aos penduricalhos e supersalários, além de ampliar a digitalização do serviço público, visando o enxugamento de despesas.
Relações internacionais
O plano de governo de Flávio Bolsonaro não cita diretamente as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Brasil por meio do aumento de tarifas para produtos brasileiros.
Mas o candidato se envolveu diretamente nas negociações com os EUA, tendo inclusive viajado ao país para tratar sobre o assunto com o governo de Donald Trump. Flávio criticou o governo petista pela deterioração da relação com os EUA.
O senador defendeu junto aos EUA a redução das tarifas e, em suas propostas, defende a retomada de relações amistosas com o país. “Não trataremos como adversários os nossos parceiros mais importantes e tradicionais”, diz em seu plano de governo.
Ele também afirma que buscará soluções diplomáticas eficazes contra sanções dos Estados Unidos, da China e da Europa aos produtos nacionais.
Flávio aposta que a vitória do seu grupo político pode influenciar uma mudança de comportamento dos norte-americanos motivada pela maior proximidade da agenda política e ideológica entre Bolsonaro e Trump.

![[ED] O ponto cego da IA devastador da Coreia](https://eixoinfra.com/media/2026/10/077391e9987950146da90f45.jpg)
