Ela afirmou que esteve no local da obra apenas para averiguar se a estrutura anterior havia sido demolida e não para fazer uma inspeção

16 set 2026 - 08h52

Compartilhar

- Por: Redação Terra

Veja momento em que prédio desaba na Penha e atinge muro de casa em SP:

A servidora da Prefeitura de São Paulo Viviane Rodrigues de Palma, que assinou um laudo que garantiu a continuidade das obras no prédio em construção que desabou sobre uma casa e matou seis pessoas na Penha, na Zona Leste da capital, foi ouvida pela Polícia Civil na terça-feira, 15.

- Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra

Segundo a delegada Deidiene Fialho, do 24.° DP, a servidora disse à polícia que esteve no local da obra apenas para averiguar se a estrutura anterior havia sido demolida -- uma condição para a liberação do alvará de construção --, e não para fazer uma inspeção sobre a estrutura do prédio.

De acordo com a delegada, Viviane disse em seu depoimento que não chegou a entrar no prédio, alegou que não havia pessoas na construção, mas que o local não estava abandonado. Teria dito, ainda, que fora enganada pelo engenheiro Cristiano Salgado Vivacqua, responsável técnico pela obra. O laudo foi assinado por ela em 2024. O Terra tenta localizar a defesa de Viviane.

Na terça-feira, a Polícia Civil informou que três pessoas devem ser indiciadas por homicídio com dolo eventual após o desabamento do prédio. Os investigados são Isis de Freitas Rodrigues Brandão, apontada como responsável legal pela construtora New Home; o engenheiro Cristiano Salgado Vivacqua, responsável técnico pela obra; e Ronaldo dos Santos Vivacqua, pai de Cristiano e apontado como sócio oculto da companhia.

Ronaldo está preso e nega envolvimento com a New Home. Segundo as investigações, no entanto, testemunhas dizem que ele tinha influência e participação ativa nas atividades da empresa, incluindo a venda de apartamentos e presença constante no local das obras. Cristiano e Isis estão foragidos. A reportagem tenta contato com a defesa de ambos.

Além disso, segundo os investigadores, a mesma empresa é alvo de outras investigações por estelionato. Ao menos 10 boletins de ocorrência já haviam sido abertos por clientes que alegam que compraram unidades com a New Home e que não haviam sido entregues.

Até o momento, 12 pessoas foram ouvidas pela polícia. A perícia que vai apontar as causas da queda da edificação deve ficar pronta dentro de 30 dias. Outras pessoas devem ser ouvidas e, segundo a delegada, não se descarta a possibilidade de investigar outros envolvidos com a construção e aprovação administrativa do prédio.

Prédio em construção desabou sobre uma casa e matou seis pessoas na Penha.

Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

O desabamento do prédio aconteceu na madrugada do último sábado, 12, na Rua Tequici, na Penha, Zona Leste de São Paulo. A queda da edificação atingiu uma casa ao lado, que também colapsou. Seis pessoas que estavam nesta residência morreram -- incluindo uma mulher grávida. As outras duas pessoas, entre elas um bebê, foram resgatadas com vida e encaminhadas ao hospital municipal do Tatuapé.

Prefeitura investiga; obras de construtoras são embargadas

A Prefeitura de São Paulo abriu apuração na Controladoria-Geral do Município (CGM) de São Paulo para investigar os procedimentos de fiscalização.

Na segunda-feira, 14, a CGM determinou o embargo de todas as obras em andamento na cidade das construtoras envolvidas no desabamento. A medida também suspende a análise de pedidos de alvará ainda em andamento feitos pelas empresas.
Segundo a CGM, a decisão tem como objetivo resguardar o interesse público enquanto são apurados os fatos e eventuais responsabilidades relacionados ao desabamento.
Ricardo Nunes determina apuração sobre possível documento falso após desabamento de prédio em SP:
A construção do edifício que colapsou começou em 2019 e, de acordo com a Prefeitura, a obra não tinha alvará. Por esse motivo, o empreendimento foi alvo de fiscalizações da administração municipal, que aplicou multas e determinou a interdição da obra.
A ordem não foi cumprida. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município recorreu à Justiça e obteve uma liminar que determinava a paralisação imediata dos trabalhos. Em 2022, um novo projeto para o terreno foi apresentado à Prefeitura.
Um novo alvará foi concedido em agosto de 2023, mas com a condição de que a estrutura anterior fosse demolida. No ano seguinte, em 2024, uma servidora da Subprefeitura Penha, identificada como Viviane Rodrigues, assinou um laudo que atestava o cumprimento da demolição.
A servidora foi ouvida pela Controladoria-Geral do Município na segunda-feira. Ela já estava afastada por 30 dias após a Prefeitura identificar indícios de que a demolição prevista não teria sido realizada. Após o depoimento, a CGM decidiu prorrogar o afastamento dela por 120 dias.
Após o acidente, a New Home Construtora, responsável pela obra, abriu uma investigação interna para apurar o desabamento. Em nota publicada no final de semana, a empresa afirmou na ocasião que não havia elementos que permitissem atribuir o acidente apenas a uma conduta da construtora.
A empresa afirmou que não se exime de eventuais responsabilidades, mas disse que uma movimentação de terra em um terreno vizinho também será analisada como possível elemento ligado ao desabamento.
(*Com informações do Estadão Conteúdo)
Fonte: Portal Terra
Compartilhar
TAGS
Cidades Notícias

