Destaque nos Festivais de Cinema de Berlim e Gramado, Feito Pipa foi escolhido como o representante do Brasil para o Oscar de 2027. Estrelado por Yuri Gomes, Lázaro Ramos e Teca Pereira, o filme aborda as relações familiares sob o olhar de um jovem que atravessa as transformações da infância, entre laços afetivos, luto e a temática LGBTQIA+.Com uma história diferente da dos dois últimos filmes brasileiros indicados ao Oscar, Ainda Estou Aqui (2024) e O Agente Secreto (2025), Feito Pipa enfrenta desafios adicionais na corrida por uma vaga na cerimônia principal do Oscar de 2027, segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles.Para os especialistas, o cenário mais provável neste momento é que o filme chegue à pré-seleção de 15 produções da categoria de Melhor Filme Internacional, conhecida como shortlist. Para avançar à lista final de cinco indicados, o longa precisa acelerar a campanha internacional, fechar uma distribuição nos Estados Unidos, conquistar apoio de nomes influentes da indústria e enfrentar a concorrência de produções que ganharam destaque nos festivais de Cannes e Veneza.5 imagensFechar modal.1 de 5O filme Narra a história de Gugu (Yuri Gomes), um menino apaixonado por futebol e dança que vive com a avó Dilma (Teca Pereira) no sertão cearenseDivulgação2 de 5A produção foi o Longa-metragem mais premiado da 54ª edição do Festival de Cinema de GramadoDivulgação3 de 5Criado de maneira livre e afetuosa, ele se vê diante de um grande desafio quando precisa lidar com a possibilidade de deixar a vida ao lado da avó para morar com o pai, Batista (Lázaro Ramos)Divulgação4 de 5Feito Pipa foi escolhido pela Academia de Cinema Brasileira como representante para o Oscar 2027Divulgação5 de 5Imagem do filme Feito Pipa, estrelado Lázaro Ramos, Yuri Gomes e Teca PereiraJamille Queiroz/DivulgaçãoQuais são os pontos fortes de Feito Pipa?Para a crítica de cinema Isabella Faria, um dos pontos fortes de Feito Pipa é o apelo emocional e a possibilidade dada pela história de atravessar fronteiras sem depender de contexto histórico ou político prévio. Como tem o foco na infância, nas relações familiares e as temáticas LGBTQIA+, o longa constrói uma narrativa de amadurecimento que ressoa em qualquer cultura.“O principal ponto forte é que se trata de uma história muito universal. Pessoas de fora do Brasil conseguem se relacionar com a dinâmica do garoto com a avó, o amadurecimento, o ambiente familiar, o luto e a pauta LGBTQIA+. O filme traz uma ambientação muito específica em Quixadá, partindo de memórias do diretor, mas é universal ao mesmo tempo em que é culturalmente brasileiro”, destaca.Já Pedro Butcher, professor do curso de Cinema e Audiovisual da ESPM, destaca o carisma do elenco e avalia que o filme pode se beneficiar do momento favorável do cinema brasileiro no exterior, impulsionado por Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto.“O ponto a favor é a boa onda gerada por dois anos consecutivos de campanhas bem-sucedidas no exterior. A Academia e os votantes estão mais atentos à produção brasileira, e o engajamento do público nas redes sociais ajuda a manter o país no radar”, pondera.Fernanda Torres e Wagner MouraE os pontos de alerta para o filme?Por outro lado, os especialistas alertam para dois desafios importantes no caminho de Feito Pipa: a estreia no Festival de Berlim e a ausência de uma distribuidora americana. Enquanto festivais como Cannes e Veneza ocorrem no segundo semestre, logo, mais perto da votação do Oscar, a estreia de Feito Pipa em Berlim, ocorrida em fevereiro, exige um esforço extra para manter o título vivo na memória dos votantes.“Berlim é um festival de grande prestígio, mas acontece muito distante do Oscar. Cannes e Veneza costumam ser a vitrine principal dos filmes que ganham tração internacional para a temporada de prêmios”, explica Pedro.Além do desafio do calendário, a falta de um parceiro comercial no mercado norte-americano é apontada como a principal urgência do longa. Como a shortlist do Oscar normalmente é divulgada em meados de dezembro, a equipe do filme teria três meses para fazer o filme circular e ser reconhecido nos EUA. Leia também EntretenimentoFeito Pipa é escolhido como representante do Brasil no Oscar 2027 Entretenimento“Imensa emoção”, diz Lázaro Ramos após escolha de Feito Pipa para o Oscar CinemaFeito Pipa é premiado em duas categorias no Festival de Guadalajara CinemaFeito Pipa é aplaudido de pé em estreia no 76º Festival de Berlim “Não adianta nada estar no radar se não tiver uma distribuidora para mostrar pros americanos que sim, estamos tentando um terceiro ano consecutivo. É aí que tá o segredo”, frisa Isabella.A especialista destaca ainda que, sem o suporte de uma distribuidora em Los Angeles, a equipe precisa também captar recursos de forma autônoma para custear a logística cara de uma campanha internacional, que inclui exibições privadas, viagens da equipe e anúncios na imprensa especializada.“A prioridade máxima é garantir a estrutura americana de campanha por meio de uma distribuidora ou parceiro que tenha capacidade de trabalhar no mercado de Los Angeles. E colocar a trajetória de festivais (Berlim, Guadalajara, Gramado) em destaque para trazer esse reconhecimento internacional”, complementa Isabella .Já Pedro ressalta também que o caminho para furar o bloqueio comercial envolve tanto investimento financeiro direto quanto articulação política dentro da própria indústria de cinema.“A prioridade da equipe é conseguir recursos para viajar, promover sessões e pagar anúncios na Variety e nas revistas especializadas, porque tudo isso faz diferença. O principal movimento agora seria conseguir os tais padrinhos e madrinhas — pessoas de influência como o próprio Walter Salles e o Kleber Mendonça Filho, que podem ajudar a fazer o filme ficar mais conhecido”, conclui Pedro.














