Do alto, Matera parece crescer da própria rocha. Nos Sassi, fachadas, escadas e becos escondem ambientes escavados que atravessaram séculos de ocupação humana. A cidade da Basilicata reúne mais de mil antigas moradias, além de igrejas, oficinas e sistemas de água integrados a um cenário reconhecido pela UNESCO.
Por que Matera tem mais de mil antigas moradias entre cavernas?
O conjunto dos Sassi e do Parque das Igrejas Rupestres de Matera ocupa 1.016 hectares e preserva mais de mil moradias. Segundo a UNESCO, o território também concentra numerosas lojas e oficinas integradas às cavernas naturais da Murgia. A ocupação mais antiga identificada remonta ao Paleolítico, enquanto sucessivos assentamentos moldaram o lugar por milênios.
Essa adaptação criou uma paisagem na qual construção e rocha se confundem. Casas avançam sobre cavidades anteriores, passagens acompanham o relevo e telhados podem funcionar como áreas de circulação. A UNESCO considera o conjunto um exemplo excepcional de assentamento troglodita mediterrâneo adaptado ao terreno. O reconhecimento como Patrimônio Mundial, em 1993, valorizou justamente essa relação duradoura entre assentamento humano, terreno e ecossistema.
🏛️ Paleolítico: A área apresenta evidências das primeiras ocupações humanas.
🌿 1993: Os Sassi entram na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
🚀 Hoje: O conjunto permanece habitado, visitado e protegido como patrimônio cultural.
Água subterrânea transforma a pedra em infraestrutura
Matera reúne casas de pedra e construções escavadas na rocha // Créditos: depositphotos.com / Freesurf*
Matera desenvolveu soluções para captar e armazenar água em um terreno marcado por rocha e desníveis. Um exemplo visível aparece na Casa Grotta di Vico Solitario, onde canais e um reservatório mostram como a chuva abastecia antigas moradias. O sistema ajuda a entender por que o subterrâneo tinha função prática, e não apenas residencial.
O caso mais impressionante é o Palombaro Lungo, localizado sob a Piazza Vittorio Veneto. A página oficial de turismo da Itália descreve a estrutura como uma grande cisterna para recolha de água. Ela foi construída em etapas desde o século XVI. Passarelas atuais permitem observar seu interior e revelam outra camada da cidade histórica. Essa infraestrutura ajuda a explicar como moradores transformaram limitações do terreno em soluções para o cotidiano.
O que ver entre os Sassi e as igrejas rupestres?
A visita ganha sentido quando alterna espaços construídos, ambientes escavados e mirantes. Os Sassi se dividem principalmente entre Sasso Caveoso e Sasso Barisano, cada um com percursos próprios. No Caveoso, antigas casas-gruta ajudam a visualizar formas de moradia preservadas no centro histórico. A leste, o Parque da Murgia amplia a experiência e concentra mais de 150 locais de culto rupestres.
- Sasso Caveoso: conserva antigas casas-gruta e passagens que acompanham a encosta rochosa.
- Sasso Barisano: reúne becos, fachadas, oficinas e diferentes níveis de construção sobre cavidades antigas.
- Palombaro Lungo: mostra a escala alcançada pelos sistemas subterrâneos de armazenamento de água.
- Santa Maria de Idris: igreja rupestre sobre o Monterrone, ligada por passagem à cripta de San Giovanni e seus afrescos históricos.
- Belvedere Murgia Timone: oferece uma visão ampla dos Sassi, da ravina e da cidade assentada na rocha.
Para compreender a cidade, vale combinar pelo menos um ambiente doméstico, uma igreja rupestre e um ponto panorâmico. Essa sequência mostra como vida privada, religião e paisagem compartilharam a mesma base rochosa. A Casa Grotta di Vico Solitario, por exemplo, conserva elementos que ajudam a visualizar o cotidiano nas antigas habitações.
Como chegar e percorrer Matera?
Bari é uma referência prática para quem chega de avião, pois fica a cerca de 67 km de Matera. O portal oficial Basilicata Turistica informa conexões integradas de trem e ônibus com cidades como Bari, Nápoles e Salerno. A região também recebe viajantes por rodovias ligadas às principais rotas italianas. Para explorar os Sassi, caminhar costuma oferecer a leitura mais completa do relevo.
O próprio Comune di Matera recomenda percursos a pé pela área histórica. Ruas inclinadas, escadas e trechos acessíveis somente a pedestres fazem parte da experiência, portanto calçados confortáveis ajudam bastante. Alguns caminhos revelam a Civita, o Sasso Barisano e o Sasso Caveoso em sequências curtas de caminhada. Quem cruza até Murgia Timone encontra um percurso que desce à ravina e passa por uma ponte de madeira.
Experiência
O que observar
Subterrânea
Casas-gruta, cisternas, canais e passagens escavadas na rocha.
Panorâmica
Sassi, ravina e Murgia vistos dos mirantes e caminhos elevados.
Matera merece ser vista em camadas
Matera impressiona porque sua história permanece visível nas paredes, cavernas, escadas e caminhos que ainda estruturam o centro antigo. A cidade reúne engenharia cotidiana, arquitetura rupestre e uma paisagem moldada por ocupações sucessivas, com o relevo participando diretamente da vida urbana. Se você gosta de lugares que recompensam um olhar mais atento, reserve tempo para caminhar devagar pelos Sassi. É a melhor forma de perceber como pedra, água, religião e moradia continuam contando partes conectadas da mesma história até hoje.
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